Retrovisor

Entre árvores, mãos se encontram

A beleza da luz dos dias se entrelaçam em sorrisos

Marcam o interesse e a afeição

De um amor contido, experimentado

Revelado minimamente entre os sujeitos

E escancarado aos observadores mais atentos.

São poucos segundos

Mas a cena parece ter se eternizado

O retrovisor parece recontar por mais alguns segundos

A história

Como se do subconsciente trouxesse

À tona reflexos de um dia ensolarado no lago.

A música melancólica do carro faz prosseguir a cena

Agora com sujeitos mais pessoais

Com nome e sobrenome definidos

Mas de uma realidade ainda não palpável

Ainda idealizada.

Um dia!

É, pois, certo que seja!

Inconsciência

Engraçado o poder inconsciente que algumas pessoas exercem sobre nós.
Tu crês que não existe nada e nem nunca existiu nada de tão profundo; que o que aconteceu não marcou em nada a tua vida, mas  no íntimo, no mais profundo layer da emoção, lá está – guardado numa  pequena caixa, cheia de dobraduras – o sorriso, o beijo e o cheiro de quem te tirou do eixo, ou pelo menos tentou fazê-lo.
O mais bizarro é , num sábado como esse, curtindo uma enxaqueca, ver-se escrevendo sobre os efeitos dele no teu consciente e pegar-se em desespero, ante a incerteza do que se sente; ou sentir-se vulnerável frente ao desmedido poder que as ausências estabelecem.
Disfarça e chora!

Lançar-se

Eu vivo dizendo que vou saltar de bungue jump. Xiiiiiiiii, doce ilusão, ó! Eu sou medrosa para esportes radicais, pode acreditar! Mas quer saber…quer coisa mais maluca e mais radical do que viver por Fé? Verdadeiro voo diário em queda livre, meus caros. Adrenalina pura!

Vê aí se não reside alguma verdade no que eu estou falando:  “ORA, A FÉ É A CERTEZA DAS COISAS QUE SE ESPERAM E A CONVICÇÃO DOS FATOS QUE SE NÃO VÊEM”.Hebreus 11:1

Trata-se do mínimo de razão possível do tipo apreendido pelo ser humano; compreende, antes, calar vozes internas e externas e tão somente crer. Considerar a voz muda Daquele que é e sempre foi verdadeiro e seguir.

Complicado pensar assim quando se tem postulados tão arraigados de resultados, confesso; mas se queremos mais, se entendemos que somos mais do que matéria, a conta não é tão difícil de ser efetuada, mesmo quando o resultado é irracional.

 

Números irracionais??? Acho que a matemática já previa/prevê isso, não?

 

Lançar-se, será esse o segredo?

 

Lançar-se compreende, segundo o dicionário Houiass, “propelir através do espaço; fazer partir ou partir com ímpeto e brusquidão numa determinada direção; precipitar-se; atirar-se; meter-se em alguma coisa com ousadia, por vezes irrefletidamenteentregarse, dar-se inteiramente…” e, nesse sentido, faz-se clara a ideia de que o ato do lançamento implica altas doses coragem, mas antes de tudo, define pontos certos de irracional confiança e segurança de que no voo você não está só. Deflagra ímpeto e movimentos bruscos impensáveis para aqueles que só conseguem, como Tomé, enxergar o suspiro anterior e que não visualizam braços ao fim do abismo ou vida após a cruz; e, naqueles que vivem no/do postulado mais maluco da Terra, a certeza de que Aquele que começou a boa obra é Fiel e Justo para cumpri-la.

Examinar-se

“Examine-se o homem a si mesmo…”

 

Início de ano, meu povo! Sabe revisar-se, imergir em coragem e viver sonhos…

Exatamente isso!

Revisar-se requer um olhar eminentemente crítico, apurado e demasiadamente reflexivo. É colocar pontuação onde não existe, definir pausas e apurar o traço em coerência e coesão. Trabalho árduo, mas apaixonante…

Não há nada melhor do que momentos em que você pode se deparar com a placa de um cruzamento de linha de trem – sabe o pare, olhe e escute?  Andei pensando sobre isso e acho que os meus 25 anos foram marcados por esse monólogo interno: migo x migo. Não que isso não seja importante. Isso traz o bendito autoconhecer-se, mas e o reconhecer-se? Este requer, enquanto “conceber a imagem de uma coisa, de uma pessoa que se revê”, assim como o pare, olhe e escute, uma segunda pessoa e, por conseguinte, aspectos e expectavas de enfim dialogar.

No bendito reconhecer-se o ego nos torna míopes, egoístas e estáticos (PARE) – queremos nos definir a todo tempo de acordo com as ondas do mar e o desenlace dos acontecimentos – somos o que estamos vivendo e ponto final. O fato é que só o PERFEITO, pode colocar as cartas na mesa, te fazer enxergar debilidades e, mesmo que numa fase árida e cheia de percalços, lançar sobre ti refrigério e aplainar caminhos. Depois de ser confrontado faz-se tempo de OUVIR e perceber que os planos Dele são de paz e não de mal e que o melhor ainda está por vir.

Senhor, coração agradecido é o que tenho.  Contar os meus dias na tua presença satisfaz a minha alma . Derramar o meu coração, esvaziar-me dos meus achismos e crer, tão somente, no Autor e consumador da minha fé, um desejo eterno.

Taciane Campelo31.10.2011

RETORNO

Por algum tempo me olvidei de ti

Por algum tempo os versos fugiram de mim

A música não tinha sentido,

As flores desapareceram em plena primavera

A vida sem cor, sem cheiro, sem movimento

 

Hoje, reescrevo os versos que perdi

Parece que, como um vento repentino,

As lembranças retornaram, fizeram ninho

E trouxeram à mente aquilo que só você tinha acesso

 

Fico feliz em poder retornar;

Em sermos confidentes novamente

Em te provocar sem medo

E de saber que estamos juntos mesmo que em um diálogo mudo

Você apenas me ouve e eu traduzo pensamento em verso, símbolo…

 

Saudades… era isso o que eu mais sentia,

O que mais doía…

Ela era meu grito de lamento,

Ante os versos sem movimento

Que a música da VIDA, por um breve momento, levou de mim.

 

 

Republicando…

Taciane Campelo 22.10.2008

Identidade

Eu sou apaixonada por uma ilha.

Alguém poderia perguntar: Pô, mas por uma Ilha, Taci?

Sim!

É questão de identidade, meu caro.

E quando se está longe isso se torna tão lógico, tão simples e tão bonito.

O interessante é que as pessoas te identificam por isso. Elas são sedentas por uma história que só nós temos.

Ouvir notícias de um arraial com bumba-meu-boi em Sobradinho, por mais que seja longe e você não vá, te faz tão feliz. São sensações incríveis de pertencimento, de não estar desgarrado, alheio, sem raíz…

Nunca o som do reggae me fez tão bem,sabe? É lembrar o tom ritmado e cadenciado do mar que hoje nem tenho. Teletransporte, compreendes? Consegues alcançar?

Eu sou aficionada por um “tu podes”, “tu viste”, “tu foste” e não há quem queira tirar a alegria da minha “fes(x)ta” ou de tirar as milhares folhas de papel da minha “pas(x)ta”.  Esse é o meu direito humorado de “r(é)sposta”, queridos. Afinal, quais são as nossas vogais?  – A, (É), I, (Ó), U  ou A, (Ê), I, (Ô), U. A segunda opção, nem nunca!

O mais legal de tudo é botar os teus amigos pra falar que nem tu falas? É tão bom!  – Não é verdade Júlia, Natália, Nágela, Gil?. E botar a galera pra torcer pelo Sampaioooooo? Não tem preço!  – Avisa aí pro povo que já tem torcida do Tubarão da Ilha até no Uruguai, viu?

Falar o “tcho” pai, “tcho” avô, “tcha”comoda, “tcha”quieta, “vumbora”, “simbora”…. ao invés de havaiana, japonesa; pedir Jesus ao invés de Coca-cola… Isso definitivamente é SER alguém. É perceber que tu és porque outros fizeram história antes e compartilharam algo que constitui essência em ti.

Tudo está tão claro, minha gente. E, nesse aspecto, devo louvar o céu do planalto central por tal claridade!

Eu sou apaixonada por uma Ilha.

Nela cresci e vi versos brotando de suas ruas. Uma poesia que ainda é palpável e uma história que brota de seus casarões. Fui contaminada por um amor em versos e nem de longe deixo de sorver o que tens de mais belo: a simplicidade – muito embora queiram te trair te fazer sorver algo que nem te é próprio por essência. Tu contas a tua história e não o contrário.

Se eu volto? Sim! Sempre que der eu volto pro meu mar, para os meus amigos, para o meu reggae e para o meu poema principal: São Luís do Maranhão -São 399 anos!

Ano que vem são 400 e não perco por nada a Fes(x)ta do meu gueto.

 

Coriza…

por Taciane Campelo, segunda, 15 de agosto de 2011 às 01:13

Sabe aquela parada de descontruir para construir?

Aconteceu comigo pela milésima vez.

Xiiiiiiiiiiiiiii…..Nem será a última.

“Isso é uma verdade”. Contemporaneidade.

 

Eu adoro essa parte.

Gosto de reconhecer e desconhecer … para enfim conhecer.

É tão mais interessante! Montar e desmontar peças…

Construir mapas mentais sem sentido algum. Ihi.

Amigas psicólogas, alguma ponta mínima sanidade?

 

São alternativas ou nenhuma delas, nem sei.

Faz sentido? Acho que não!

Te deixando maluco(a)? Estás tentando compreender?

Foi mal aê!

 

Atchim… – Saúde – responde um guri sentado na última poltrona do “busão”

– Valeu aê, Solviete!

– Pronto(a) para a revolução, camarada?

– Depende! Tens um lenço de papel?